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Instruções Leonísticas

07/11/2007
Lions - O Vetor da Promoção Social

A única explicação plausível para justificar como um movimento que surgiu nos Estados Unidos, em 1.917, inserido numa cultura, numa etnia, num costume próprio, disseminou-se por todo o mundo, por países de culturas, etnias e costumes completamente diferentes, inega-velmente, é o espírito do movimento, é o espírito de Lions.

Evidencia-se, destarte, que o autêntico espírito leonístico é o alicerce da importância de Lions, e a base que sedimenta a sua força.

Mormente, neste limiar de século e de milênio, onde já não mais basta sermos bons, obrigando-nos a sermos excelentes, o movi-mento em epígrafe, para não sucumbir, precisa adaptar-se aos novos tempos, tendo a consciência de que não mais existe espaço no Lions pa-ra proposições meramente teóricas, piegas, inócuas e amadorísticas, sendo de suma necessidade, projetos sólidos e profissionais.

Não estamos rejeitando o serviço voluntário e amador, mas é preciso, agora, adotarmos o profissionalismo em Lions, dada a necesida-de de afastar-nos da cultura assistencialista, optando por uma cultura voltada à promoção e à inserção do excluído na sociedade organizada.

Esta mudança tem muita lógica, eis que há anos atrás o Lions era, em muitos rincões, a única entidade a assistir o carente; hoje, mer-cê das muitas entidades filantrópicas e beneficentes que existem, com a absurda quantidade de cerca de 500.000 ONGs instaladas no país, o menos favorecido já não mais depende do Lions, do ponto de vista assis-tencial.

Para o voluntário do serviço amador existe a tarefa pragmáti-ca de concretizar junto às comunidades, os projetos e planejamentos e-laborados por profissionais.

A mudança referida é, compreende-se, bastante traumática, especialmente porque se faz necessária a substituição do assistencialis-mo pela inserção social, exigindo coragem de quem a empreende, além de transformar a mentalidade atual dos leões para uma modernidade mais abrangente. Mas, aí, deve resplandecer a qualidade de líder do Le-ão, pois só ele tem coragem de realizar a mudança, visto que a mudança dói, mas é ela quem propícia o crescimento. Esta liderança leonística de-ve ter a energia de uma criança, a criatividade de um artista, a dedica-ção de uma mãe, a humildade e desprendimento dos amantes da Paz, a sabedoria e a paciência dos sábios, a coragem do alpinista, o entusiasmo do torcedor fanático e a persisitência de um atleta.

Jamais se esqueça o líder que, para que assim seja conside-rado, ele deve desenvolver uma visão do que é possível e ser capaz de inspirar outros a ajuda-lo a realizar estas possibilidades, deve desenvol-ver competência e talento internos, de forma integral, pois só ele é ca-paz de transformar o “status quo” e só ele evolui com as mudanças.

Contudo, mudando a cultura do assistencialismo para a pro-moção humana, é óbvia a necessidade de, como dito já foi, um trabalho profissional. Também é feliz o Lions em ter em suas hostes, profissionais de todos os matizes, não havendo necessidade de sua busca fora do movimento; temos, então, o voluntariado profissional, sem paradoxo al-gum. Assim fazendo, teremos um Lions com metas mais concretas, e, como já dissemos, mais moderno, um Lions mais visível e atraente, prin-cipalmente para os mais jovens.

Se é função de Lions transformar todo ser humano em cida-dão, conclui-se que, enquanto houver apenas um homem desprovido da plena cidadania, existe a necessidade imperiosa da existência de Lions.

O Lions, para isto, deve agir de tal forma a ser um agente modificador, inovando, destarte, os seus serviços com referência à figura do carente, determinando como e quando intervir para a aludida promo-ção social. O leão, por sua vez, deve especializar-se em gente, tendo por foco o ser humano. O leão deve participar, dentro de uma visão holísti-ca, compreender as múltiplas formas de alienação social e ter uma cons-ciência marcante, objetivando sempre a emancipação humana, tanto in-dividual como coletivamente, incluindo-se aí, uma auto-crítica diuturna e eficiente.

Portanto, o Leão deve se capacitar, de forma tal a conhecer e transmitir seu conhecimento a todos que participarem do processo em questão.

O interessante é que o próprio Lions nos dá o paradigma maior do trabalho descrito em seu objetivo primeiro: “ Criar e fomen-tar um espírito de compreensão entre os povos da terra.” Isto é um incentivo e uma loa à paz entre os homens deste planeta.

É objetivo de Lions a consecução de uma cultura da paz,sahbendo-se que, somente será ela implantada se todos os indiví-duos tornarem-se cidadãos.

Ao buscar a paz, através de uma cultura que lhe seja peculi-ar, teremos completado toda a promoção social, pois esta é premissa essencial daquela.

A Cultura da Paz precisa ser implantada neste mundo domi-nado pela violência das ruas, pela violência das guerras, pela violência da miséria, pela violência da exploração das crianças, pela violência do analfabetismo, pela violência da desigualdade social.

Desde de tenra idade, foi nos imposta a Cultura da Violência, com bicho papão, com o maniqueísmo das revistas infantis, como o Tom e Jerry, com os Gibis, com os Super-Heróis, com os heróis matadores de nossos livros de história, assim como com os filmes que inundam as te-las, etc. E, sentido contrário, poucos conhecem a mencionada Madre Te-reza de Calcutá, Chico Xavier, Martin Luther King Jr., Irmã Dulce, Ma-hatma Ghandi, São Franciso de Assis e tantos outros arautos da Paz.

Se arraigada a Cultura da Violência, o Lions deve incremen-tar a Cultura da Paz, mas fazendo-a pragmaticamente, deixando os pro-selitismos, as vaidades vazias e as aleivosias nocivas no ostracismo. Se-rá transformada esta Cultura em realidade, se o leonismo trabalhar em direção ao desenvolvimento da cidadania, da dignidade, dos direitos hu-manos, da ética e da solidariedade.

Mas é imprescindível que, para levarmos a paz aos outros, devemos ter, antes, a nossa paz interior. E nossa paz interior exige tole-rância, paciência e uma capacidade de perdoar, de aprender a ouvir o próximo com atenção, de reclamar do que não gosta, sem ofender, hu-milhar ou atacar a outrem, de atacar o problema sem fazê-lo à pessoa, de tolerar as indiferenças.

Assim sendo, teremos um mundo mais tranqüilo, mormente para nossos descendentes, poderemos com orgulho, dizer aos nossos filhos: o mundo de vocês é muito melhor que o meu, e eu contribui para isto.O importante é que tenhamos em mente que implantando a cultura da paz, estaremos cumprindo com nossos designios leonísticos.

A cultura da paz deve estar calcada em objetivos concretos, tais como a construção de ações práticas, espalhando tais práticas por todas as cidades, relizando caminhadas pela paz, implantando Casas da Paz, criando-se o dia da paz, e outros eventos de incrementação e cons-cientização da aludida Cultura da Paz. Para isto, todavia, o leão deve compreender e trabalhar as múltiplas formas de alienação social que a-comete o menos favorecido, em todos os seus aspectos.

Em assim sendo tornaremos o Lions, o vetor da promoção social.

CL EGD Ayrton Pinassi
Assessor de Relações Públicas e Instrução Leonística
Distrito LC-3

 

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